Moradores da Roda de Fogo cobram ampliação da frota de ônibus

20.11.2008 – por Nara Pinilla, da Equipe Agência Roda

Terminal de ônibus da Roda de Fogo

Terminal de ônibus da Roda de Fogo

Atualmente sete ônibus fazem o percurso da linha 416 (Roda de Fogo), a única que percorre as ruas da comunidade de Roda de Fogo, Zona Oeste do Recife. Nos dias úteis os veículos fazem em média 71 viagens. No entanto, aos sábados e domingos há uma redução da frota e esse número cai para 54, chegando a 48 no primeiro dia da semana. É justamente nesse ponto que reside o problema. Os moradores alegam que a frota é pequena para atender um universo de aproximadamente 20 mil habitantes.

A pensionista Tereza Pereira da Silva, 60 anos, vinte deles vividos na Roda de Fogo, foi uma das moradoras que viu de perto a mobilização e articulação política da comunidade na luta por transporte e até hoje sofre com o que chama de descaso do poder público com a questão. “Pela manhã e a noite, que são os horários de pico, é muito difícil esperar por transporte. O ônibus demora e sempre vem cheio”, reclama.

De acordo com o técnico da Gerência de Programação da Empresa Metropolitana de Transportes Urbano (EMTU ), Fernando Azevedo, desde o dia 6 de agosto de 2007 a linha 416 ganhou o reforço de um carro. Contudo, ele reconhece que a frota ainda não é suficiente e há varias limitações de infra-estrutura e custo para sua ampliação. “Nosso trabalho é tentar encontrar um ponto de equilíbrio. As empresas de transporte pressionam para colocar menos veículos e as comunidades pressionam para o aumento da frota”.

O técnico destaca ainda que todas as associações de bairro organizadas estão sempre em contato com a EMTU na tentativa de conseguir mais coletivos, mas para que isso aconteça é necessário um estudo detalhado sobre impacto causado no trânsito. “Se nós aumentássemos dois carros em cada linha que é solicitada, teríamos dezenas de bairros querendo a mesma coisa. Isso poderia causar um grande engarrafamento comprometendo vias importantes da cidade”, explicou.

A ex-presidente da associação de moradores de Roda de Fogo, Elieuza Costa, afirma que um dos argumentos usados pela EMTU para não ampliação do número de veículos é a de que os moradores da comunidade costumam utilizar os ônibus dos bairros vizinhos. “Já houve uma época que ficamos apenas com três carros. As pessoas tinham que se deslocar daqui para BR-101 ou para o Engenho do Meio para pegar ônibus. É um absurdo, mas eles sempre acabam colocando a culpa na população. Dizem que já que as pessoas saem daqui para esperar o ônibus em outros locais eles não podem disponibilizar mais coletivos”, reclama.

Além do problema com o número de ônibus, a comunidade de Roda de Fogo não possui pontos de táxis nem acesso ao sistema de transporte complementar. Como alternativa de locomoção mais barata muitas pessoas optam pelo uso da bicicleta. Esse foi o caso do estudante de educação física, Rodrigo José de Souza, 23 anos. Mensalmente ele economiza cerca de R$ 80 apenas com as passagens que deixa de utilizar. “Eu só uso ônibus quando necessário. Prefiro ir de bicicleta se não fizer muita chuva. É mais rápido,mais barato e não dependo do ônibus na volta”, diz. Outro ponto positivo destacado pelo estudante é a facilidade de ir pra destinos perto do local onde vive. “Apesar de certos locais ficarem próximos a Roda de Fogo, como a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e o bairro de San Martin, e melhor ir de bicicleta porque você acaba tendo que pegar dois ônibus. Da minha casa para UFPE, onde estudo, demoro apenas sete minutos pedalando”, afirmou. 

Histórico- No dia 8 de setembro de 1987 as 168 pessoas presentes na assembléia promovida pela associação de moradores da comunidade de Roda de Fogo elegeram como prioridade cobrar do poder público a garantia de direitos humanos básicos. Entre os pontos escolhidos como mais significativos para melhoria da qualidade de vida estava o acesso ao transporte. Com esse objetivo, ficou acertado que seria feito o primeiro abaixo assinado exigindo dos órgãos governamentais a circulação de ônibus pela comunidade.

Em março de 1988, a hoje extinta Companhia de Habitação do Estado (COHAB-PE) deu início as obras do projeto de urbanização do local. Na planta foram definidos diversos espaços destinados a escola, área de lazer, postos de saúde e para um terminal de ônibus. Apesar de vários projetos não terem saído do papel e depois de longos cinco anos de pressão e mobilização feita pela população foi inaugurado o Terminal de Roda de Fogo. Nos dias de hoje a comunidade possui também uma linha de ônibus que leva seu nome. De acordo com os moradores, as conquistas embora importantes, ainda estão longe de suprir suas necessidades. Desse modo, a cobrança pela melhoria da infra-estrutura de transporte continua sendo uma das maiores reivindicações da população local.

Esse post foi publicado em Sem categoria e marcado . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s